Tatiana Sampaio Desenvolve Fármaco Que Dá Vida a TETRAPLÉGICOS | Cazil-Musik

A professora e pesquisadora Tatiana Sampaio, da Universidade Federal do Rio de Janeiro, dedicou quase 30 anos de estudos ao desenvolvimento da polilaminina, uma molécula inovadora capaz de restabelecer conexões entre neurônios danificados. A descoberta abre caminho para que pessoas com lesões medulares, antes consideradas irreversíveis, recuperem parte dos movimentos.

1. Polilaminina: um avanço promissor

O projeto teve início em 1998, no Laboratório de Biologia da Matriz Extracelular da UFRJ, onde foi criada uma versão sintética da laminina — proteína natural responsável por auxiliar a comunicação entre neurônios. Produzida a partir da placenta humana, a polilaminina apresentou resultados animadores em testes preliminares: entre oito voluntários com paraplegia ou tetraplegia, seis voltaram a apresentar movimentos, incluindo um paciente que, após estar paralisado do ombro para baixo, conseguiu caminhar novamente.

Avanço para testes clínicos

Em janeiro de 2026, a Anvisa autorizou o início oficial dos estudos clínicos para avaliar a segurança do tratamento. Nesta fase, cinco voluntários recebem a proteína diretamente na região lesionada, com o objetivo de estimular a criação de novos circuitos nervosos.

Além do impacto social, a descoberta rendeu cerca de R$ 3 milhões em royalties — o maior valor já registrado pela universidade. Apesar disso, dificuldades financeiras e cortes de verbas levaram o Brasil a perder a patente internacional da tecnologia.

A polilaminina reacende a esperança para vítimas de lesões na medula, que antes não tinham opções capazes de reverter o dano.”

Quem é Tatiana Sampaio?

Natural do Rio de Janeiro e apaixonada por biologia desde criança, a cientista construiu toda a sua formação acadêmica na UFRJ, onde concluiu mestrado, doutorado e realizou estágios internacionais nos Estados Unidos e na Alemanha. Tornou-se professora universitária aos 27 anos e hoje atua em várias frentes:

  • Pesquisa animal: estudos com cães para tratar lesões crônicas.

  • Empreendedorismo: participação na empresa Cellen, voltada para terapias com células-tronco veterinárias.

  • Parcerias científicas: desenvolvimento do medicamento com apoio da Faperj e do laboratório farmacêutico Cristália.

O trabalho de Tatiana Sampaio destaca-se como um dos avanços mais promissores da ciência brasileira, oferecendo novas perspectivas de tratamento e qualidade de vida para pessoas com lesões na medula espinhal.